A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (6) o inquérito da morte de Beatriz Vitória Mota, de 27 anos. Um casal foi indiciado por feminicídio.
O inquérito foi finalizado na quinta-feira (5) e enviado ao Ministério Público. O processo tramita sob sigilo.
Beatriz desapareceu em 9 de outubro após sair de um bar em um carro.
O corpo foi achado em 21 de outubro, em uma cova rasa, na zona rural de Jaboticatubas, na Grande BH.
A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (6) que concluiu as investigações sobre a morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos. A jovem desapareceu na noite de 9 de outubro e foi encontrada morta no dia 21, na zona rural de Jaboticatubas, na Grande BH.
O ex-namorado da vítima, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e atual companheira dele, Carla Luiza da Silva, de 23, foram indiciados por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menores. Os dois estão presos preventivamente desde o fim do mês passado (leia mais abaixo).
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp
O inquérito policial foi finalizado na quinta-feira (5) e encaminhado ao Ministério Público. Em nota, a promotoria afirmou que o documento será analisado para uma definição sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Caso isso ocorra e o Judiciário aceite os argumentos do MP, os acusados viram réus e passam a responder pelos crimes apontados.
Segundo a Polícia Civil, o processo tramita sob sigilo. Por isso, a instituição não divulgou mais detalhes sobre a motivação e as circunstâncias da morte da vítima.
Relembre o caso
Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota desapareceu na noite de 9 de outubro, em Jaboticatubas. Conforme o boletim de ocorrência, ela estava em um bar com amigos, no bairro Bosque dos Coqueiros, quando um carro parou no local, por volta das 19h.
A jovem foi até a janela do veículo para conversar com os ocupantes e, antes de entrar no automóvel, avisou aos colegas que voltaria em alguns minutos.
"Ela pediu cinco minutos para ir até a rua de baixo para encontrar alguém e disse que, se não voltasse, para irem atrás dela. Após ela não retornar, os amigos foram atrás dela e não souberam mais do paradeiro", relatou a irmã de Beatriz, Giovanna Neves de Castro, em entrevista à TV Globo.
A vítima foi encontrada morta no dia 21 de outubro, na zona rural de Jaboticatubas, por agentes da Polícia Civil. O corpo dela estava em uma cova rasa, próximo à Estrada Reserva Real.
Investigação
No dia 22 de outubro, a Polícia Civil informou que a principal linha de investigação sobre a morte da jovem era feminicídio premeditado (leia mais abaixo). O ex dela, Samuel Castro Melo, e namorada dele, Carla Luiza da Silva, foram presos por suspeita de envolvimento no crime e tiveram a prisão convertida para preventiva após audiência de custódia.
De acordo com a família, antes de desaparecer, Beatriz também havia comentado que poderia estar grávida. A informação ainda dependia de confirmação por exames do Instituto Médico Legal (IML).
Feminicídio premeditado
A Polícia Civil investigou o assassinato de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota como feminicídio premeditado. Em coletiva de imprensa, a instituição informou que a cova onde o corpo foi enterrado havia sido preparada antes de a vítima e os suspeitos chegarem ao local.
A PC também divulgou que o cadáver foi localizado após o depoimento de uma adolescente de 15 anos, amiga do casal investigado (leia mais abaixo). Conforme os investigadores, ela também estava no carro no momento em que Beatriz foi buscada no bar.
A causa da morte ainda seria determinada pelo IML. De acordo com o boletim de ocorrência, as mãos da vítima estavam amarradas com um pedaço de arame. Perto da cova também foram encontrados um chinelo, a capinha de celular da vítima, um tijolo com marcas de sangue e um pacote de soda cáustica.
Durante as investigações, a Polícia Civil apontou que o crime poderia estar relacionado com desavenças entre a vítima e a atual namorada de Samuel. O suspeito também já tinha histórico prévio de violência doméstica.
Depoimento de adolescente ajudou nas buscas
Os investigadores chegaram até adolescente depois de identificarem contradições nos relatos iniciais dos suspeitos e obterem informações de que ela saberia o paradeiro da vítima.
Ouvida na presença do pai, a jovem admitiu o receio de sofrer retaliações por parte do casal, mas colaborou com as equipes e se prontificou a guiar os policiais até o local onde o corpo foi enterrado, de acordo com a Polícia Civil.
Segundo o relato da adolescente, Carla enviou uma mensagem avisando que iria buscá-la em casa junto com Samuel de carro. De lá, foram encontrar Beatriz perto de um bar para conversar. Ainda conforme a jovem, Samuel ligou para a vítima e pediu que ela fosse até o automóvel.
Beatriz sentou-se no banco traseiro do veículo. Durante o trajeto de cerca de 20 minutos até a região conhecida como "Terra dos Portugueses", o casal discutiu com a vítima sobre desavenças anteriores.
Ao chegarem a uma área de lotes vagos, os suspeitos desceram do automóvel e foram até um matagal. Cerca de 30 minutos depois, os dois retornaram sem Beatriz, mantendo silêncio no caminho de volta.
A adolescente que prestou depoimento foi tratada como testemunha e, até o momento, não houve indícios de que ela teve participação no crime.




