A Esquadrilha da Fumaça se apresenta neste domingo (1º) no Domingo Aéreo em Pirassununga (SP). O evento terá transmissão ao vivo no g1 a partir das 9h30.
O show de 35 a 40 minutos reúne cerca de 50 manobras. Os pilotos se dividem em grupos para garantir acrobacias ininterruptas ao público.
A adoção do avião A-29 Super Tucano permitiu o retorno de manobras clássicas como lancevak e chumboide. Esses movimentos haviam sido suspensos pelo desgaste de modelos anteriores.
As apresentações incluem voos invertidos no espelhão e o desenho de coração no céu. Movimentos como wingover exigem muito treinamento e técnica dos pilotos.
Voar de cabeça para baixo por até um minuto, cruzar com outra aeronave a menos de dois metros de distância e executar uma manobra que deixa o avião temporariamente sem controle. Essas são algumas das acrobacias que fazem parte das apresentações da Esquadrilha da Fumaça e que impressionam milhares de pessoas em cada demonstração. (Veja algumas no vídeo acima).
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Para quem assiste do chão, algumas acrobacias parecem acidentes prestes a acontecer. O capitão e um dos pilotos da Esquadrilha, André Nery Lima Bezerra, de 35 anos, explicou ao g1 como o A-29 Super Tucano torna possível cada uma dessas manobras.
Apresentações da aeronave serão destaque do Domingo Aéreo na Academia da Força Aérea (AFA) neste domingo (1º), em Pirassununga (SP). O g1 São Carlos e Araraquara, em parceria com a EPTV , afiliada da TV Globo, transmite as acrobacias ao vivo a partir das 9h30.
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De acordo com Bezerra, a demonstração começa com sete aviões agrupados. Após a primeira sequência de acrobacias, os pilotos executam uma manobra chamada Break - que é uma das poucas executadas com todas as aeronaves juntas.
"É aquela manobra em que os aviões apontando para o público se espalham frontalmente, vai cada um para um canto e daí em diante as manobras são feitas em grupos", complementou.
🎭 Uma peça de teatro no céu: como funciona a apresentação
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Na sequência, o público acompanhará as manobras feitas com quatro aviões, com dois e um isolado. Segundo o capitão, da metade da apresentação para o final, a plateia também acompanhará as acrobacias sendo feitas com seis aeronaves agrupadas.
"São em torno de 50 manobras realizadas nesses 35 a 40 minutos de demonstração. E como são vários grupos, o público nunca deixa de ver uma manobra sendo executada porque quando tem um avião ou mais executando uma sequência, os outros grupos estão fora da arena se preparando, se posicionando e ganhando os parâmetros necessários para fazer a entrada e realizar a sua sequência de manobras", explicou.
A dinâmica das apresentações é sequenciada. "É como se fosse, digamos assim, uma peça de teatro muito bem concatenada, muito bem ensaiada, de forma que as cortinas nunca se fecham, né? Quando uma cena termina e um grupo sai, a próxima cena já se inicia com o próximo grupo."
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🛩️ Manobras criadas pela própria Esquadrilha
Algumas das manobras apresentadas pela Esquadrilha da Fumaça foram desenvolvidas pelos próprios pilotos ao longo da história da equipe. Segundo o capitão, várias surgiram na década de 1980 após a incorporação do T-27 Tucano, modelo antecessor do A-29 Super Tucano.
É o caso da Chumboide, que foi batizada com esse nome em homenagem ao seu idealizador, um ex-integrante da Esquadrilha da Fumaça, que tinha apelido de Chumbo.
Os integrantes da Esquadrilha perceberam que determinadas manobras aceleravam o processo de fadiga de componentes da aeronave, tanto no motor quanto na estrutura e, por causa desse desgaste, algumas acrobacias deixaram de ser executadas, entre elas, a Chumboide e a Lancevak.
✈️ Lancevak: capotamento durante a execução
Com a implantação do A-29 Super Tucano, uma aeronave mais robusta e com maior capacidade para suportar os esforços gerados pelas acrobacias, as manobras clássicas Lancevak e Chumboide puderam retornar para as demonstrações da Esquadrilha.
O Lancevak, por exemplo, é uma manobra em que a aeronave parece capotar durante a execução. (Veja no GIF acima). A acrobacia é executada exclusivamente pelo piloto nº 7.
"Não é que parece que o avião está sem controle. O avião, de fato, naquele momento, ele está reagindo a um comando que foi dado pelo piloto, mas a reação aerodinâmica do avião é de que literalmente capota no ar nos seus três eixos", explicou o capitão.
Segundo Bezerra, não é um movimento totalmente controlado pelo piloto, que faz um comandamento único e o avião reage da forma observada pelo público. "Onde que está a grande questão? O piloto sabe exatamente o que fazer para retomar o controle do avião no momento exato e sair perfeitamente alinhado com o eixo da próxima manobra".
🛩️ Espelhinho e Espelhão
Entre as acrobacias realizadas pela Esquadrilha da Fumaça estão os voos em espelho, quando as aeronaves voam simultaneamente em posições opostas. Uma delas é o Espelhinho, que é realizada pelos pilotos 5 e 6, sendo que um fica em voo normal e outro em voo invertido.
Marca registrada da Esquadrilha, o Espelhão reúne três aeronaves em voo normal e outras três espelhadas, ou seja, voando invertidas, acima. "Essa manobra é muito interessante porque eu acho que ela reflete muito bem o trabalho em equipe da Esquadrilha da Fumaça."
"Cada um voa muito preciso, muito cravado em relação ao seu respectivo líder e quanto todo mundo faz a sua parte o resultado é um espelho perfeitamente simétrico perfeitamente montado com três aeronaves embaixo e três em cima", acrescentou.
❤️ Coração, a manobra mais esperada pelo público
Bezerra enfatizou que o desenho deixado pela fumaça no céu ajuda o público a entender a trajetória que o avião está fazendo. "Algumas manobras deixam um rastro de fumaça muito específico no céu e algumas o público gosta muito, como, por exemplo, a manobra do coração."
Segundo o capitão, três aviões fazem uma curva para um lado, enquanto outros três fazem a mesma curva do lado oposto. "E a gente deixa o desenho de um coração no céu com uma mensagem muito especial para o público." (Veja uma imagem de como fica abaixo).
No entanto, o capitão disse que a manobra do coração, que é uma das mais esperadas pelo público durante as apresentações da Esquadrilha, só é realizada quando a meteorologia permite por causa de condições adequadas de vento e visibilidade.
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✈️ Cruzamentos a menos de dois metros
Entre as manobras da Esquadrilha estão os cruzamentos entre as aeronaves. Apesar do público acreditar que exista algum efeito especial ou ilusão de ótica, os aviões passam muito próximos uns dos outros durante a apresentação.
"As aeronaves realmente, no momento dos cruzamentos, elas passam muito perto uma das outras. Alguns cruzamentos dão menos de dois metros de uma aeronave para outra, considerando que cada uma está voando com mais de 400 km por hora, às vezes quase 500 km", afirmou.
De acordo com Bezerra, existem diferentes tipos de cruzamento no repertório da Esquadrilha, como o Hammerhead Simultâneo, o cruzamento com o tonneau lento e o cruzamento das seis aeronaves.
"A velocidade relativa entre os aviões, no momento do cruzamento, às vezes é algo muito próximo de mil quilômetros por hora de razão de aproximação", complementou o piloto.
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😱 As manobras difíceis de executar
Algumas acrobacias, como a tonneau com alas invertidas e o wingover com troca de liderança, têm um nível de dificuldade muito grande na execução, de acordo com o capitão. "São manobras extremamente técnicas, exigem muito treinamento, demoram muito tempo para o piloto aprender a executá-las e às vezes não tem essa percepção de risco do público."
Ele afirmou que cabe ao locutor explicar por que aquela manobra é tão difícil, pois nem sempre fica evidente para quem está assistindo. Por outro lado, alguns dos momentos que mais provocam sustos durante as demonstrações nem são considerados manobras propriamente ditas.
Segundo Bezerra, é o caso das 'entradas de surpresa' que acontecem quando uma aeronave surge repentinamente por trás do público, voando baixo e em alta velocidade. Outra situação que costuma causar apreensão envolve o piloto da posição nº 7, responsável pelas apresentações individuais.
O capitão explicou que, em determinados momentos, o piloto nº 7 sobe com a aeronave, desliga a fumaça, reduz a velocidade e aponta o avião em direção ao solo antes de voltar a acionar o sistema de fumaça. "A gente gosta de gerar essa sensação de que realmente o motor apagou e voltou a funcionar, gera essa curiosidade, essa aflição."
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