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Presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña é preso em Assunção

06/11/2026

Presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña é preso em Assunção

Presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, é preso em Assunção

O presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite desta sexta-feira (6) em Assunção. O Ministério Público decretou a ordem de prisão assim que o Senado aprovou, por unanimidade, o impeachment dele. Peña é suspeito de envolvimento em um escândalo financeiro que levou ao fechamento do maior banco digital do país. Em Assunção, os enviados especiais César Menezes e Marcelo Benincassa têm as informações.

"Nós estamos aqui na praça que fica exatamente na frente do Congresso, onde o Senado acabou de votar o impeachment do agora ex-presidente do Paraguai Santiago Peña. Imediatamente depois que ele foi destituído, uma grande multidão que está aqui na praça começou a se manifestar. Eles protestam contra o Partido Colorado, que é o partido do ex-presidente e também do vice-presidente, e também pela situação do banco Ueno, porque muitos deles estão com o dinheiro trancado, sem acesso ao dinheiro. Logo depois que o impeachment foi votado, uma sequência de eventos aconteceu. O presidente Peña publicou nas redes sociais que estava deixando o cargo, agradecia e despedia do povo, o que não é bem verdade, porque a carta de renúncia dele não foi aceita. Ele foi retirado por impeachment. E por impeachment, ele não ganha o status de senador vitalício e não ganha imunidade parlamentar. Por isso, logo em seguida, o Ministério Público indiciou o ex-presidente, pediu a prisão dele, e ele está em casa em prisão domiciliar. O vice-presidente assumiu também aqui agora há pouco. Preparamos uma reportagem sobre esse dia frenético", diz o repórter César Menezes.

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A sessão que abriu os trabalhos nesta sexta-feira (6) no Senado paraguaio deveria ter começado com a defesa do presidente do país, Santiago Peña. Mas, logo cedo, ele apresentou um pedido de adiamento por 72 horas, alegando que só recebeu a notificação no fim da noite de quinta-feira (5) e não teve tempo suficiente para escolher um advogado de confiança para exercer o direito de defesa.

Por 39 votos a 3, os senadores recusaram o adiamento. E quando a sessão foi retomada, dois advogados de Peña se apresentaram. Eles alegaram que o presidente do país não tem poder sobre as ações denunciadas, referentes à crise financeira do Banco Ueno, e que essas ações são de responsabilidade de outros agentes públicos e privados.

Santiago Peña se tornou o centro de uma crise política depois da quebra do principal banco digital do Paraguai. Na última terça-feira (3), o Banco Central do país interrompeu as atividades do Ueno Bank e a Justiça determinou a prisão de oito diretores. Cerca de 3 milhões de pessoas, incluindo aposentados, ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. Quase a metade da população do Paraguai. O fechamento do banco provocou protestos em todo o país.

Até 2025, Santiago Peña era um dos acionistas do grupo controlador do banco. Ele é acusado de conflito de interesses e de favorecer o banco Ueno.

Presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña é preso em Assunção

Jornal Nacional/ Reprodução

Quando a sessão no Senado foi retomada à tarde, a senadora da oposição Yolanda Paredes contestou a legitimidade dos advogados de defesa apresentados de última hora. Na sequência, os senadores do comitê de acusação apresentaram argumentos sobre a responsabilidade de Santiago Peña na quebra do banco. Os advogados fizeram, então, as alegações finais.

Exatamente às 18h, o Senado abriu a quinta e última sessão extraordinária para concluir o processo de impeachment. Depois de uma hora de discursos, foi feita a votação. E o resultado foi unânime: 44 a 0. Santiago Peña foi destituído da presidência do Paraguai.

Do lado de fora, um forte esquema de segurança foi montado para evitar tumulto durante manifestações da população em frente ao Congresso. Nesta sexta-feira (6), a porta de uma das agências em Assunção amanheceu coberta por cartazes de protesto.

O comando do país, agora, fica nas mãos do vice, Pedro Alliana. Ele não foi incluído no processo de impeachment e assumiu como presidente interino. Alliana também é do Partido Colorado. Formado em relações internacionais, tem 52 anos, e já foi deputado e governador.

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