Médico reencontra policial que atendeu após ser baleado 18 anos atrás no litoral de SP
Alguns encontros acontecem por acaso. Outros parecem esperar anos para acontecer. Foi durante uma ronda em Praia Grande, no litoral de São Paulo, que o policial militar Isaías Alves de Lima reencontrou, 18 anos depois, o médico que o atendeu após ele ser baleado durante uma ocorrência em Santos.
O reencontro aconteceu no dia 13 de agosto. Isaías fazia patrulhamento de motocicleta quando viu o médico Henrique Adhemar Marques Jr. parado na calçada. Assim que o reconheceu, pediu ao policial parceiro que o acompanhasse.
“Eu virei a esquina e falei: ‘Vamos voltar, vamos voltar’. Aí voltei, parei a moto, tirei o capacete e falei: ‘Doutor!’”, contou Isaías.
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Foi então que Isaías explicou o motivo da abordagem. O policial disse que o médico provavelmente não se lembraria dele, mas que jamais havia esquecido aquele atendimento. “O senhor não deve estar lembrado de mim, mas eu lembro do senhor como se fosse hoje”, disse Isaías.
Henrique inicialmente não reconheceu o policial. Isaías, então, contou que havia sido atendido por ele em 2008, no Pronto-Socorro da Zona Noroeste, em Santos, depois de ser baleado.
Para Henrique, a rotina de um pronto-socorro envolve o atendimento de muitos pacientes, mas casos mais graves, especialmente os que envolvem traumas, costumam permanecer na memória.
Policial militar reencontra médico que o atendeu 18 anos atrás em Santos, SP.
Arquivo Pessoal
Sentimento
O médico ficou emocionado ao perceber que, quase duas décadas depois, o paciente estava bem. “Foi como se eu tivesse recebido um presente. Fiquei muito feliz e emocionado”, afirmou.
Henrique também destacou a relação entre as profissões. Enquanto Isaías atua na segurança da população, ele trabalha no atendimento de pessoas que chegam ao pronto-socorro em busca de ajuda.
“Depois de 18 anos, ouvir esse relato e ver que aquela pessoa que você atendeu naquele momento estava bem, saudável e feliz me deu a certeza de que meu papel tinha sido cumprido. Foi um grande presente”, disse.
Amizade após reencontro
Após a conversa, os dois trocaram números de telefone e tiraram uma foto juntos. Isaías contou que descobriu anos depois do atendimento que Henrique também é cantor e se apresenta artisticamente como Henrique Marx.
O policial chegou a assistir a um show dele em Praia Grande, acompanhado da esposa. “Hoje eu sou fã dele de carteirinha. Agora mais ainda, por ter reencontrado”, disse Isaías.
Baleado em 2008
O episódio aconteceu em 10 de março de 2008. Na época, Isaías trabalhava no patrulhamento da Zona Noroeste de Santos e recebeu informações sobre um homem armado que estaria abordando pessoas em uma área de campos de futebol de várzea.
Ele comunicou a ocorrência ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), e um cerco foi feito na região. Segundo Isaías, o suspeito estava em uma bicicleta e, ao perceber a presença dos policiais, saiu pedalando e atirando. Foram cerca de cinco disparos. Um deles atingiu a mão do policial enquanto ele mirava a arma.
O tiro provocou uma fratura exposta. Após cair no chão, Isaías bateu a cabeça e ficou desacordado.
“Fui socorrido para o hospital e, com a graça de Deus, quem deu o primeiro atendimento foi o doutor Henrique e a equipe dele. O doutor é excepcional. A todo momento, ele me mantinha calmo", lembrou.
Isaías foi estabilizado e depois transferido para o Hospital do Iamspe, onde permaneceu internado por cerca de dois dias. Seis meses depois do episódio, Isaías voltou ao policiamento de rua. Ele ingressou na Polícia Militar em 1996, trabalhou por 24 anos na Zona Noroeste de Santos e, em 2020, foi transferido para Praia Grande, onde permanece na ativa.
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