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Mandando Bem no Enem: professor orienta a leitura de textos literários

31/10/2026

Mandando Bem no Enem: professor orienta a leitura de textos literários

Relacionar um texto literário ao seu contexto histórico e compreender como as escolhas de linguagem constroem sentidos são pontos importantes na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. A orientação é de Phernando Romualdo, professor de Literatura do Colégio Nacional, que recomenda uma leitura atenta aos aspectos sociais, políticos e humanos presentes nas obras.

Segundo o professor, a prova de Linguagens exige que o estudante interprete o texto e reconheça as relações entre seu conteúdo e sua forma. O conhecimento sobre autores e movimentos literários contribui para essa análise quando associado à compreensão do trecho apresentado.

“O exame busca avaliar a sensibilidade crítica do estudante, exigindo que ele compreenda o texto literário como um produto vivo do seu tempo, capaz de dialogar com os dilemas sociais, políticos e humanos de diferentes épocas”, explica.

Três habilidades para orientar a leitura

Phernando destaca três habilidades da competência de área 5 da Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Elas ajudam a organizar o estudo em torno do contexto de produção, dos recursos expressivos e dos valores presentes nos textos.

A Habilidade 15 trata dos fatores históricos, sociais e políticos que influenciam a produção e a recepção das obras. Ao analisar um fragmento, o estudante deve observar quais circunstâncias ajudam a compreender a escrita e sua relação com a época.

Já a Habilidade 16 envolve os recursos estilísticos, os procedimentos de construção e as características estéticas do texto. Entram nessa análise a estrutura em prosa ou verso, as escolhas vocabulares, as figuras de linguagem e as marcas dos gêneros lírico e narrativo.

A Habilidade 17, por sua vez, aborda a presença de valores sociais e humanos no patrimônio literário nacional. Segundo o professor, esse olhar permite relacionar os temas das obras a discussões que permanecem relevantes na contemporaneidade.

Contextualização estética

Uma das recomendações para a preparação é compreender as relações entre movimentos como Romantismo, Realismo, Naturalismo e Modernismo. Phernando orienta o estudante a observar as diferenças de ideias e propostas estéticas entre eles, associando suas características à leitura das obras.

Como exemplos, o professor cita romances naturalistas que exploram o determinismo biológico e social e poemas modernistas e contemporâneos que recorrem à metalinguagem e à ironia em contextos de restrição das liberdades. A atenção à relação entre forma e conteúdo ajuda a compreender essas manifestações.

Relação entre texto e contexto

Ao ler um fragmento, o estudante pode se perguntar quais fatores sociais e políticos influenciaram aquela escrita. Essa reflexão ajuda a reconhecer como uma obra se relaciona com o período em que foi produzida e com os debates que apresenta.

“Observe como a literatura denuncia desigualdades, reflete identidades ou dialoga com a história do Brasil e do mundo”, orienta.

Recursos formais e leitura ativa

Versos livres, rimas, pontuação expressiva, construções metafóricas e a presença de diferentes vozes também merecem atenção. Segundo Phernando, identificar esses elementos deve levar o estudante a perceber os efeitos de sentido que produzem no texto.

“Perceba como a escolha formal potencializa a mensagem do autor”, recomenda.

Para exercitar essa leitura, o professor sugere interpretar trechos densos, crônicas e poemas de diferentes vertentes, incluindo produções clássicas e marginais. Durante o estudo, vale observar a intenção comunicativa e os sentidos associados ao tom irônico, melancólico ou crítico do narrador ou do eu lírico.

Literatura além da prova

Na avaliação do professor, estudar Literatura também contribui para ampliar a compreensão de diferentes experiências e contextos sociais.

“Mais do que decifrar códigos de prova, estudar literatura para o Enem é um convite para alargar horizontes, exercitar a empatia e compreender criticamente o mundo em que vivemos”, conclui.

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