Notícia

Dono de imóvel é multado em R$ 8,6 mil após trabalhador morrer em caixa-d'água no litoral de SP

05/11/2026

Dono de imóvel é multado em R$ 8,6 mil após trabalhador morrer em caixa-d'água no litoral de SP

A Prefeitura de Santos multou em R$ 8,6 mil o proprietário do imóvel onde Bruno Reis dos Santos, de 27 anos, morreu em uma caixa-d'água subterrânea.

O município alegou falta de segurança na obra para aplicar a punição. A empresa De.sign informou que enviou todos os documentos exigidos aos órgãos fiscalizadores.

O caso ocorreu em setembro no bairro Vila Mathias. A Polícia Civil aguarda laudos para identificar se Bruno inalou algum produto químico dentro da estrutura.

O mestre de obras declarou que Bruno entrou na caixa sem autorização. Já um colega afirmou que ambos receberam ordens e não tinham equipamentos de proteção.

A Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, multou em R$ 8,6 mil o proprietário do imóvel onde Bruno Reis dos Santos, de 27 anos, morreu após passar mal dentro de uma caixa-d'água subterrânea durante uma obra. O trabalhador estava em seu primeiro dia de serviço quando ocorreu o acidente, em setembro.

Segundo a administração municipal, a multa foi aplicada em outubro devido a irregularidades relacionadas às condições de segurança de trabalhadores e terceiros na construção. O g1 não conseguiu contato com o proprietário do imóvel.

✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp.

A prefeitura informou que também emitiu uma intimação para a correção das irregularidades. Para a execução dos serviços de reparo, a empresa De.sign, responsável pela obra, contratou dois engenheiros de segurança.

Após a aplicação da multa ao proprietário do imóvel, a prefeitura realizou novas fiscalizações na obra. Segundo a administração municipal, não foram constatadas outras irregularidades até a última atualização desta reportagem.

Ao g1, a De.sign afirmou que respondeu a todas as intimações dos órgãos municipais e federais, com a apresentação dos documentos solicitados.

Morte em caixa d’água

Bruno Reis dos Santos morreu em setembro, após passar mal dentro de uma caixa-d'água subterrânea em uma obra no bairro Vila Mathias, em Santos. Outros dois trabalhadores que tentaram ajudá-lo também passaram mal, mas foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A Polícia Civil aguarda os resultados de laudos para identificar um produto químico que Bruno pode ter inalado no local.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a esposa de Bruno, Nádia Cardoso da Silva, contou que o marido estava animado com o novo emprego. "Ele saiu tão feliz para trabalhar, era o primeiro dia dele. Primeiro dia de uniforme e tudo, e a gente se depara com isso", disse a mulher.

Versões diferentes

À Polícia Civil, o mestre de obras informou que Bruno e outro trabalhador, que também passou mal, estavam encarregados de limpar uma laje. Segundo ele, os dois também realizariam serviços nas caixas-d'água subterrâneas, mas deveriam receber orientações do técnico de segurança antes de iniciar o trabalho.

O mestre de obras afirmou que a dupla entrou em uma das estruturas lacradas sem autorização. Pouco depois, o outro trabalhador voltou ao refeitório para avisar que Bruno estava passando mal.

O colega da vítima apresentou uma versão diferente. Segundo ele, o próprio mestre de obras havia orientado os dois a limpar a laje e as caixas-d'água. O trabalhador afirmou que não recebeu instruções sobre os procedimentos de segurança, nem máscaras ou equipamentos de proteção respiratória.

Ainda de acordo com o relato, a entrada de uma das caixas estava lacrada com uma tábua de madeira, que precisou ser quebrada. Bruno entrou primeiro na estrutura e desmaiou.

O colega tentou socorrê-lo, mas saiu por não conseguir retirá-lo sozinho. Ao entrar novamente na caixa-d'água, também passou mal e perdeu a consciência.

Caixas-d'água estavam lacradas

Conforme o boletim de ocorrência, o técnico de segurança do trabalho informou à polícia que as caixas-d'água haviam sido lacradas para evitar quedas e também porque poderiam acumular gases, que não foram especificados.

Segundo ele, qualquer serviço no interior das estruturas deveria ser comunicado previamente. O profissional afirmou ainda que Bruno e o outro trabalhador começaram a atuar na obra sem contratação formal.

A engenheira responsável pela documentação confirmou que não havia recebido os documentos do outro trabalhador e que os de Bruno chegaram somente após o acidente.

O mestre de obras declarou que Bruno seria admitido no dia da ocorrência. Já o outro trabalhador, segundo ele, não estava previsto para contratação e havia sido levado pela vítima para trabalhar apenas naquele dia, mediante o pagamento de uma diária.

VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

Compartilhe
No ar
F&F GaúchaEditado no painel · sobrescrita ao vivo do CMS