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De crimes misteriosos a suspeitos de serial killers: relembre assassinatos que marcaram Manaus

31/10/2026

De crimes misteriosos a suspeitos de serial killers: relembre assassinatos que marcaram Manaus

O Halloween motiva uma retrospectiva de assassinatos em série e ameaças de justiceiros que marcaram a história de Manaus. Os casos envolvem investigações policiais de diferentes décadas.

Entre as décadas de 1950 e 1980, crimes foram associados ao comerciante José Osterne. Em 1980, o suposto grupo "Mão Branca" ameaçou atuar na capital amazonense.

Em 2013, 2 irmãos foram presos por matar homossexuais em Manaus. Recentemente, em 2023, Natan de Melo Furtado foi detido suspeito de assassinar 3 mulheres no Amazonas.

O Halloween, celebrado em 31 de outubro, é marcado por histórias de terror, mistério e crimes que despertam a curiosidade do público. No Amazonas, episódios reais de violência também fazem parte da história da região, com investigações sobre assassinatos que apresentavam características semelhantes e suspeitos apontados pelas autoridades como assassinos em série.

Em Manaus, um dos casos mais antigos remonta às décadas de 1950 e 1960, quando três assassinatos foram associados ao comerciante cearense José Osterne de Figueiredo. Anos depois, em 2013, uma sequência de mortes levou à prisão de dois irmãos suspeitos de assassinar homens homossexuais na capital.

Outro episódio histórico ocorreu em 1980, quando uma suposta organização de justiceiros, conhecida como “Mão Branca”, anunciou que chegaria a Manaus para se vingar de crimes que, segundo o grupo, teriam sido acobertados pela polícia.

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Mais recentemente, um homem identificado como “Giban" foi preso em 2023, suspeito de matar três mulheres no Amazonas. A Polícia Civil o classificou como serial killer.

O g1 relembra abaixo casos de assassinatos que marcaram a história de Manaus:

José Osterne de Figueiredo: três assassinatos em três décadas

Entre as décadas de 1950 e 1960, três assassinatos registrados em Manaus tiveram um personagem em comum: o comerciante cearense José Osterne de Figueiredo, cujo nome foi associado aos episódios.

O primeiro caso ocorreu em 1953, quando o biscateiro Anacleto Gama foi assassinado durante a madrugada, enquanto dormia na alfaiataria do suspeito, local onde trabalhava. O corpo de Anacleto foi encontrado pela manhã, por outro funcionário. A vítima estava nua e em uma poça de sangue. Dois pares de sapato, que pertenciam a José de Figueiredo, foram encontrados com sinais de sangue ao lado da vítima. O comerciante chegou a ser detido para prestar esclarecimentos e, devido a repercussão do caso, fechou a alfaiataria.

Segundo o livro "José Osterne de Figueiredo: um grande azarado ou um assassino em série?", após fechar a alfaiataria, José quis investir em um novo negócio e comprou, cerca de um ano depois, a mercearia de Antônio Germano Dias. Um dia após assumir o negócio, o comerciante encontrou o antigo proprietário assassinado, também nu e em uma poça de sangue. O fato de estar novamente na cena do crime colocou José como principal suspeito.

Já em 1968, o engraxate Walderglace Grangeiro, de 13 anos, foi estrangulado. O corpo do jovem foi encontrado no bairro Parque Dez. As investigações identificaram que um carro, utilizado no crime, pertencia a José. À imprensa, a mãe da vítima afirmou que José vinha constantemente prometendo emprego para o filho. O suspeito não chegou a ser preso.

Os três crimes apresentavam características semelhantes, com relatos de sadismo e agressões sexuais. A repetição desse padrão e a associação dos episódios ao nome de José levantaram a hipótese de que Manaus poderia ter sido palco da atuação de um assassino em série.

As semelhanças entre os casos, no entanto, não são suficientes, por si só, para afirmar que os três assassinatos foram comprovadamente cometidos pela mesma pessoa. Após quase 20 anos de investigações, José foi absolvido da morte de Waldeglace e deixou de responder pelos demais crimes por falta de provas. Morreu em 1977 sem nunca ter sido condenado e deixou no ar a dúvida se, de fato, era inocente ou um serial killer.

Irmãos foram presos suspeitos de matar homens homossexuais

Em 2014, os irmãos Jucenildo Soares Damascena, de 18 anos, e Ricardo Damascena Cunha, de 19, foram presos suspeitos de assassinar homens homossexuais em Manaus.

As investigações começaram em novembro de 2013, após a morte do estudante de jornalismo Steve Host da Costa Barros, de 36 anos. Ele foi assassinado em 29 de novembro daquele ano, na Zona Leste da capital.

Segundo as declarações atribuídas aos suspeitos na época, Ricardo conheceu a vítima em um bar. Cerca de 20 dias depois, o estudante foi morto e roubado, com a participação do irmão mais novo, conforme a investigação.

Durante a apresentação dos presos à imprensa, na Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd), Ricardo falou sobre o crime e declarou que não se arrependia.

“Matei ele porque me prometeu dinheiro e não me deu. Não me arrependo. Morreu, morreu. É menos um gay”, disse à época.

Além de Steve Host, outros três homens foram identificados como vítimas nos casos atribuídos aos irmãos:

Henrique Júnior Rabelo Maio, de 31 anos: encontrado morto em um hotel na rua Floriano Peixoto, no Centro de Manaus, em 18 de novembro de 2013.Carlos Macambira da Silva, de 41 anos: encontrado morto em um sítio no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte.Jucinei José de Araújo Barbosa, de 46 anos: morto na própria residência, no bairro Nova Cidade, também na Zona Norte, em 16 de dezembro de 2013.

Na época, os irmãos foram acusados de envolvimento em dez assassinatos. Entretanto, os quatro homens citados acima são as vítimas identificadas.

Mão Branca: supostos justiceiros anunciaram chegada a Manaus em 1980

Em 1980, uma série de assassinatos em Campina Grande, na Paraíba, chamou a atenção do país. Entre janeiro e junho daquele ano, estimava-se que 59 pessoas haviam sido mortas em circunstâncias que apresentavam semelhanças.

As vítimas eram, em geral, pessoas com antecedentes criminais, pequenos delinquentes e detentos que desapareciam das celas, além de ex-presidiários.

Os corpos eram encontrados em locais desertos, com marcas de tiros e sinais de tortura. Havia relatos de mutilações e de ferimentos que, segundo as descrições da época, funcionavam como uma espécie de assinatura dos responsáveis.

O suposto grupo responsável pelos crimes se apresentava como defensor de órfãos, viúvas e inocentes e afirmava agir para fazer justiça.

Em Manaus, o jornal A Notícia publicou, em 16 de março de 1980, uma manchete sobre a chegada do Mão Branca à cidade.

Segundo o relato publicado, uma carta atribuída ao grupo anunciava que os supostos justiceiros chegariam em abril para se vingar de crimes ocorridos na capital e que, conforme alegavam, teriam sido acobertados pela polícia.

A carta afirmava que a organização havia investigado os casos durante três meses e elaborado uma lista com 77 suspeitos que teriam sido “marcados para morrer”.

A publicação também relatou que o grupo havia telefonado à redação para comunicar a transferência de suas atividades para Manaus.

Em 17 de abril daquele ano, o jornal voltou ao assunto ao noticiar a localização de uma mala dentro de um carro estacionado em frente a um hotel. O objeto trazia o símbolo atribuído ao Mão Branca e continha armas de diferentes calibres.

O episódio integra a história da violência e das ameaças de justiça pelas próprias mãos na cidade. Entretanto, o anúncio atribuído ao grupo e a apreensão relatada pelo jornal não comprovam, por si só, a existência de uma organização responsável por uma série de assassinatos em Manaus.

Suspeito de matar três mulheres foi apontado como serial killer

Em janeiro de 2023, a Polícia Civil prendeu Natan de Melo Furtado, de 33 anos, conhecido como “Giban”, suspeito de matar três mulheres no Amazonas entre 2016 e 2022.

Segundo as investigações, duas vítimas foram mortas em Boca do Acre e tiveram os corpos queimados. A terceira, Leonor Maria Nascimento da Silva, de 57 anos, foi assassinada em junho de 2022, no bairro Raiz, Zona Sul de Manaus. Ela sofreu 73 perfurações provocadas por arma branca.

O delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), classificou o suspeito como serial killer devido às semelhanças entre os crimes.

Segundo a polícia, Natan já havia sido preso em flagrante em 2021, após os assassinatos em Boca do Acre, mas fugiu para Manaus. Na capital, voltou a cometer um crime, conforme a investigação.

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