Um mercado de Ribeirão Preto (SP) aposta na contratação de profissionais com 60 anos ou mais. Atualmente, esse público representa 10% dos funcionários do local.
O número de trabalhadores com 60 anos ou mais em São Paulo cresceu 26% entre 2019 e 2026. A alta representa 411 mil idosos a mais.
Os operadores de caixa Miguel Calabria, de 73 anos, e Gilda de Oliveira, de 74 anos, destacam o aprendizado e o comprometimento no trabalho diário.
O consultor de carreiras Rodrigo Fonseca avalia que misturar diferentes gerações cria um ambiente diverso.
A permanência dos idosos no mercado atende à disposição física e à necessidade de complementar renda. Gilda afirma conciliar a rotina de trabalho com viagens.
Em Ribeirão Preto (SP), um supermercado tem apostado na contratação de profissionais com 60 anos ou mais e já mantém cerca de 10% dos funcionários do estabelecimento nessa faixa etária.
A iniciativa acompanha uma tendência do estado de São Paulo. Entre 2019 e 2026, o número de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu 26%, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Ao todo, foram 411 mil trabalhadores a mais no período.
De acordo com o gerente da loja, Wanderlei Donizete da Silva, a contratação de mais experientes traz benefícios para toda a equipe, especialmente pela troca de conhecimentos entre gerações.
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"Primeiro o comprometimento, assiduidade, o tratar com o pessoal, com o público que a gente trabalha. Tem clientes que preferem passar no caixa deles, além de que eles me ajudam até a conversar com os mais jovens no quesito de assiduidade".
O operador de caixa Miguel Calabria, de 73 anos, foi contratado há oito meses. Para ele, o trabalho é uma oportunidade de manter a mente ativa e acompanhar o que acontece ao seu redor.
"Eu tenho vontade de trabalhar para ocupar mais a cabeça e ficar inteirado de todos os assuntos. Para mim está sendo muito agradável, é um bom aprendizado para mim."
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Experiência e troca entre gerações
A operadora de caixa Gilda de Oliveira faz parte da equipe há duas décadas. Aos 74 anos, ela continua trabalhando e afirma que a experiência adquirida ao longo da vida contribuiu para aumentar seu senso de responsabilidade.
"Não é mais aquela coisa de 20 anos atrás, mas pego meu carrinho e venho na boa. Eu acho que a gente se torna mais responsável nessa idade, tem mais comprometimento com o que faz."
A ajudante de caixa Karina Kelly Ogioni também destaca o comprometimento dos colegas mais velhos e a disposição deles para continuar trabalhando.
"A questão de comprometimento, desenvolvimento e a superação, porque mesmo na melhor idade eles ainda se dispõem a estar aqui trabalhando conosco e exercendo a função deles".
Para o consultor de carreiras Rodrigo Fonseca, a presença de profissionais de diferentes idades contribui para a construção de um ambiente de trabalho mais diverso.
Segundo ele, a troca de experiências permite que funcionários mais novos e mais velhos aprendam uns com os outros.
"É importante mesclar um pouco as experiências, porque tanto os mais velhos conseguem aprender com os mais novos quanto vice-versa. Esse mix funciona bem para que você tenha um ambiente mais diverso."
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Combate ao etarismo
Além da troca de experiências, a contratação de pessoas com mais de 60 anos também exige atenção ao preconceito relacionado à idade, conhecido como etarismo.
Segundo o consultor Rodrigo Fonseca, as empresas precisam preparar as equipes para evitar comportamentos discriminatórios e reconhecer a capacidade profissional dos trabalhadores mais velhos.
"O importante é estar ciente de que aquilo ali vai causar uma mudança no seu ambiente de trabalho e preparar a sua equipe para evitar aquele tipo de preconceito que a gente chama de etarismo, de olhar como se as pessoas não tivessem a capacidade de trabalhar, porque são mais experientes".
O especialista também aponta que a permanência de pessoas mais velhas no mercado de trabalho está relacionada tanto com a disposição para continuar exercendo uma profissão quanto com a necessidade de complementar a renda.
"Hoje em dia as pessoas mais velhas estão conseguindo trabalhar por mais tempo, eles têm mais vigor para continuar no mercado de trabalho. Isso também vem de uma necessidade de complementação de renda. Eles têm seus custos, têm a questão de plano de saúde, remédios, tudo isso pesa no bolso e aí essa complementação acaba vindo bem a calhar."
Para Gilda, continuar trabalhando não significa deixar de aproveitar a vida. Ela conta que concilia a rotina profissional com viagens e momentos de lazer.
"Às vezes a pessoa fala assim, 'está na hora de você passear, aproveitar a vida'. E eu aproveito da maneira que eu posso e trabalhando eu aproveito também, viajo nas minhas férias também, passeio nas minhas folgas e é isso."
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