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Canetas emagrecedoras ilegais: apreensões aumentam 26 vezes no RS e preocupam autoridades

28/10/2026

Canetas emagrecedoras ilegais: apreensões aumentam 26 vezes no RS e preocupam autoridades

As apreensões de canetas emagrecedoras ilegais pela Receita Federal no Rio Grande do Sul cresceram 26 vezes neste ano. Foram recolhidas mais de 3 mil unidades.

Os produtos chegam ao país escondidos em veículos, ônibus ou encomendas postais. Eles são declarados como outros itens para tentar escapar da fiscalização.

Eduardo Mielke, da Receita Federal, afirmou que as equipes fiscalizam as cargas em circulação no estado e realizam apreensões quase diariamente.

Em apreensão recente nos Correios, os fiscais acharam embalagens com bolsas de gelo. Não havia garantias de que a refrigeração do medicamento foi mantida.

O endocrinologista Fernando Gerchman alertou que o uso dessas substâncias clandestinas oferece risco, pois não há como garantir a pureza ou composição delas.

A quantidade de canetas emagrecedoras importadas ilegalmente e apreendidas pela Receita Federal no Rio Grande do Sul aumentou 26 vezes neste ano na comparação com todo o ano passado.

Em apenas nove meses, mais de 3 mil unidades foram recolhidas no estado, com valor estimado em R$ 1,2 milhão.

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Os produtos chegam ao país por diferentes rotas. Eles são encontrados escondidos em veículos, transportados em ônibus ou enviados por encomendas postais. Em alguns casos, são declarados como outros itens para tentar escapar da fiscalização.

"A gente faz um trabalho bem extenso de verificação de todas as cargas que circulam aqui no Rio Grande do Sul. E quase todo dia estamos topando com esse tipo de produto e fazendo apreensões", afirma o chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no RS, Eduardo Mielke.

O avanço preocupa autoridades e especialistas devido à falta de garantias sobre a procedência, a conservação e a composição dos produtos.

Conteúdo e armazenamento

Em uma das apreensões mais recentes, realizada nos Correios, os auditores encontraram embalagens que buscavam simular condições adequadas de transporte com o uso de bolsas de gelo. Segundo Mielke, não havia garantia de que a refrigeração necessária para o medicamento tivesse sido mantida durante o trajeto.

Além das dúvidas sobre a forma de armazenamento, a principal preocupação está no conteúdo. Como os produtos entram no país de forma clandestina, eles não passam pelos processos de fiscalização e controle exigidos pelos órgãos reguladores.

Para o endocrinologista Fernando Gerchman, do Hospital Moinhos de Vento, o uso dessas substâncias representa um risco significativo porque, segundo ele, não há como assegurar a pureza nem a composição do medicamento.

"A gente não sabe o que tem de impureza. Pode ser um minério, pode ser um agente microbiológico, que pode gerar uma infecção, pode causar uma reação autoimune, inflamatória no corpo, gerando uma doença muito grave, que pode se perpetuar e ser irreversível ou até levar à fatalidade", explica.

A recomendação dos especialistas é que os medicamentos sejam adquiridos apenas em farmácias e drogarias regularizadas.

"Acho que para a sociedade, acaba deixando de ser um problema tributário e vira um problema de saúde pública", diz o auditor fiscal Mielke.

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